A recente discussão sobre o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED) trouxe de volta uma pergunta que vai muito além da Medicina e se insere em todas as áreas de atuação:
Até onde vai a responsabilidade da formação acadêmica na proteção da sociedade?
Se tratando da área da saúde, o argumento é direto: profissionais despreparados colocam vidas em risco.
Mas, fora do ambiente hospitalar, existe um outro risco, menos visível, porém igualmente profundo: a forma como lidamos com dados e informações sensíveis.
O risco invisível da má formação e falta de cuidado
Hoje, não são apenas médicos ou profissionais de tecnologia que lidam com dados sensíveis.
Advogados, jornalistas, gestores, professores, empreendedores, servidores públicos e empresas de todos os portes operam diariamente com:
Dados pessoais
Informações estratégicas
Dados financeiros
Informações confidenciais
Quando segurança da informação, privacidade e proteção de dados não fazem parte da formação técnica e cultural, o problema raramente é apenas operacional.
Ele se torna estrutural e recai sobre pessoas. E, com isso:
Direitos são violados
Exposições acontecem
Incidentes se repetem
E a confiança se desfaz aos poucos.
Compliance, Privacidade e Segurança: áreas de sustentação
O risco não mora em uma profissão específica.
Ele surge sempre que alguém atua em um ambiente digital sem preparo para lidar com dados de forma responsável.
É por isso que existem áreas como:
Compliance
Segurança da Informação
Governança de Dados
Privacidade e Proteção de Dados (LGPD)
Elas sustentam a atuação responsável das demais áreas, tentando em silêncio impedir que um problema aconteça.
O problema da lógica do “depois”
Quando a formação não acompanha a complexidade do mundo digital, instala-se a cultura da reação:
Corre-se atrás do prejuízo
Explica-se o incidente
Normaliza-se o evitável
Ajusta-se o processo depois da falha
Mas, em um cenário de transformação digital acelerada, inovação sem educação de qualidade não protege ninguém.
Cuidado com dados: um compromisso básico
A controvérsia provocada pelo ENAMED deixa um alerta que não é exclusivo da Medicina.
No mundo dos dados, cuidar da informação também é cuidar de pessoas, de informações pessoais e sigilosas.
Esse não deveria ser um diferencial competitivo: é, na verdade, um compromisso básico de qualquer exercício profissional e de qualquer organização que se propõe a inovar.
E isso exige mais do que tecnologia. Exige cultura, processos e formação adequada.
Onde entra a tecnologia nesse cenário?
Se a formação precisa evoluir, as ferramentas também precisam acompanhar.
Plataformas modernas de gestão, como o elleven, do Grupo Voalle, já nascem preparadas para um ambiente regulado, digital e orientado à responsabilidade com dados.
Isso significa:
Estrutura preparada para exigências regulatórias
Arquitetura que favorece rastreabilidade e governança
Processos que reduzem riscos operacionais
Base tecnológica alinhada à realidade da LGPD e da transformação digital
Mas tecnologia sozinha não resolve. Ela potencializa uma cultura que precisa ser construída desde a formação profissional até a operação diária.
A pergunta que fica
Talvez a discussão não seja apenas sobre quem pode exercer uma profissão, mas sim sobre:
Como estamos formando profissionais e estruturando empresas para um mundo em que quase tudo passa, e permanece, pelos dados?
Porque, no fim, responsabilidade com dados é responsabilidade com a sociedade.
Ana Rita Moreira é graduada em Direito pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), pós-graduada em Compliance, Governança Corporativa e ESG. Atua no jurídico interno, com foco em direito consultivo, análise e gestão de riscos contratuais, proteção de dados e governança corporativa. Possui certificações em LGPD e Privacidade de Dados (EXIN - Essentials, Foundation e Practitioner), além de formação complementar em projetos de adequação à LGPD, Privacy by Design e regulação de Inteligência Artificial.

