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Compliance13 de fevereiro de 2026

Formação profissional, responsabilidade e o cuidado com dados e informações

Por Ana Rita Moreira
Formação profissional, responsabilidade e o cuidado com dados e informações

A recente discussão sobre o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED) trouxe de volta uma pergunta que vai muito além da Medicina e se insere em todas as áreas de atuação:

Até onde vai a responsabilidade da formação acadêmica na proteção da sociedade?

Se tratando da área da saúde, o argumento é direto: profissionais despreparados colocam vidas em risco.

Mas, fora do ambiente hospitalar, existe um outro risco, menos visível, porém igualmente profundo: a forma como lidamos com dados e informações sensíveis.

O risco invisível da má formação e falta de cuidado

Hoje, não são apenas médicos ou profissionais de tecnologia que lidam com dados sensíveis.

Advogados, jornalistas, gestores, professores, empreendedores, servidores públicos e empresas de todos os portes operam diariamente com:

  • Dados pessoais

  • Informações estratégicas

  • Dados financeiros

  • Informações confidenciais

Quando segurança da informação, privacidade e proteção de dados não fazem parte da formação técnica e cultural, o problema raramente é apenas operacional.

Ele se torna estrutural e recai sobre pessoas. E, com isso:

  • Direitos são violados

  • Exposições acontecem

  • Incidentes se repetem

  • E a confiança se desfaz aos poucos.

Compliance, Privacidade e Segurança: áreas de sustentação

O risco não mora em uma profissão específica.

Ele surge sempre que alguém atua em um ambiente digital sem preparo para lidar com dados de forma responsável.

É por isso que existem áreas como:

  • Compliance

  • Segurança da Informação

  • Governança de Dados

  • Privacidade e Proteção de Dados (LGPD)

Elas sustentam a atuação responsável das demais áreas, tentando em silêncio impedir que um problema aconteça.

O problema da lógica do “depois”

Quando a formação não acompanha a complexidade do mundo digital, instala-se a cultura da reação:

  • Corre-se atrás do prejuízo

  • Explica-se o incidente

  • Normaliza-se o evitável

  • Ajusta-se o processo depois da falha

Mas, em um cenário de transformação digital acelerada, inovação sem educação de qualidade não protege ninguém.

Cuidado com dados: um compromisso básico

A controvérsia provocada pelo ENAMED deixa um alerta que não é exclusivo da Medicina.

No mundo dos dados, cuidar da informação também é cuidar de pessoas, de informações pessoais e sigilosas.

Esse não deveria ser um diferencial competitivo: é, na verdade, um compromisso básico de qualquer exercício profissional e de qualquer organização que se propõe a inovar.

E isso exige mais do que tecnologia. Exige cultura, processos e formação adequada.

Onde entra a tecnologia nesse cenário?

Se a formação precisa evoluir, as ferramentas também precisam acompanhar.

Plataformas modernas de gestão, como o elleven, do Grupo Voalle, já nascem preparadas para um ambiente regulado, digital e orientado à responsabilidade com dados.

Isso significa:

  • Estrutura preparada para exigências regulatórias

  • Arquitetura que favorece rastreabilidade e governança

  • Processos que reduzem riscos operacionais

  • Base tecnológica alinhada à realidade da LGPD e da transformação digital

Mas tecnologia sozinha não resolve. Ela potencializa uma cultura que precisa ser construída desde a formação profissional até a operação diária.

A pergunta que fica

Talvez a discussão não seja apenas sobre quem pode exercer uma profissão, mas sim sobre:

Como estamos formando profissionais e estruturando empresas para um mundo em que quase tudo passa, e permanece, pelos dados?

Porque, no fim, responsabilidade com dados é responsabilidade com a sociedade.


Ana Rita Moreira é graduada em Direito pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), pós-graduada em Compliance, Governança Corporativa e ESG. Atua no jurídico interno, com foco em direito consultivo, análise e gestão de riscos contratuais, proteção de dados e governança corporativa. Possui certificações em LGPD e Privacidade de Dados (EXIN - Essentials, Foundation e Practitioner), além de formação complementar em projetos de adequação à LGPD, Privacy by Design e regulação de Inteligência Artificial.

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